Google+ Followers

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A primeira pastora no Conselho da CBB

A primeira pastora no Conselho da CBB
Há dois anos, comentando a reforma da estrutura da CBB, destaquei que um dos elementos positivos seria a impossibilidade de se estabelecer posturas uniformizadoras, como ocorreu na Convenção do Sul dos Estados Unidos desde a década de 80. Isso porque a composição do Conselho Geral não seria resultado de articulações costuradas nos bastidores e corredores das Assembléias da CBB, mas fruto da diversidade que se manifesta nas dezenas de assembléias regionais espalhadas pelo país.

Tal percepção ganha evidência agora, com a presença da pastora Elizabete Carvalho Teófilo no Conselho Geral. Eleita presidente da Convenção das Igrejas Batistas Unidas do Ceará, ela passa, por força estatutária, a ter assento no principal fórum deliberativo da Convenção Brasileira.

O curioso é que a presença dela não seria novidade por razões de gênero. Não disponho de números exatos, mas tenho a impressão de que 5% a 10% dos humanos que compõem o Conselho são mulheres. Diga-se de passagem, elas ocupam 50% das vagas da atual diretoria e houve reuniões em que, pelas circunstâncias, “reinaram” de forma absoluta e com muita competência, no comando de reuniões.

O que diferencia, portanto, a presença da pastora Elizabete, seria apenas o título. Nas vezes em que ela se pronunciou, não precisou de Carteira da Ordem de Pastores Batistas do Brasil. Compreensivamente, raramente foi citada como “pastora”, como se faz em relação aos pastores.

Certamente, entretanto, logo, logo nos habituaremos com o fato e, sem constrangimentos, ela será tratada com o título acrescido ao nome, com se faz com pastores. (Se bem que eu mesmo, como gosto do meu nome e não associo autoridade a título, sinto-me extremamente feliz quando sou tratado simplesmente por Edvar, inclusive pelos membros da igreja da qual estou pastor).

Preciso esclarecer que, ao usar a expressão: “seria apenas o título”, fi-lo por ter consciência de que não seria apenas o título. O que diferencia, na verdade, é a ideologia social que envolve o acréscimo de títulos ao nome e o efeito político de seu uso em determinados contextos. Conheço muitos cabras-machos com título de pastor cuja autoridade eu não reconheceria nem morto.

Pastorado, antes de tudo é uma atividade de natureza carismática. É, portanto, dom divino, seja ou não reconhecido por um sistema religioso. Seu exercício precede reconhecimento oficial, treinamento, profissionalização ou remuneração. Quem é privilegiado com este presente de Deus, age como tal, seja homem ou mulher, sendo reconhecido ou não por indivíduos ou instituições. Na liderança de uma igreja – como no universo protestante - ou no governo de um povo - como nos registros do Primeiro Testamento – pessoas com esse dom o exercem com satisfação.

Ocorre, entretanto, que ainda há quem pense como Abraham Lincoln, em 1863. Substituindo a palavra negra, por feminino, e branca, por masculino, assim ficaria seu discurso: “Não sou nem nunca fui favorável a algo que pudesse provocar, de qualquer forma, a igualdade social e política entre as raças (femininas) e (masculinas); não sou nem nunca fui favorável à transformação de (mulheres) em eleitores ou jurados, ou à sua aceitação para cargos públicos. A isso acrescentarei que existe uma diferença física entre a raça (feminina) e a (masculina) que, segundo creio, para sempre impedirá que as duas raças vivam em condições de igualdade social e política. E, na medida em que isso não pode ocorrer, enquanto permanecerem juntas, deve haver uma posição de superior e inferior, e, tanto quanto qualquer outro homem ..., prefiro que a posição superior seja atribuída à raça (masculina)” (Revista Carta Capital, de 12.11.08).

Se pela educação sexual, especialmente em relação a gênero, alguns se sentem desconfortáveis com o assento de pastoras no Conselho (como na OPBB), pela graça divina isso não impedirá que pastoras – hoje caminhando para uma centena na CBB – continuem fazendo o trabalho que Deus designou também para elas, mesmo que para isso precisem entrar “pela porta dos fundos”.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008